
Imagine que você está caminhando pela Avenida Broadway. Os sons começam a se intensificar, o número de pessoas aumenta e, ao seu redor, o número de placas e outdoors se multiplica. O cenário continua crescendo, até que você se encontra em um grande espaço, no cruzamento com a Sétima Avenida. Pessoas circulam por todos os lados, entrando e saindo de lojas e prédios, que iluminam as calçadas com fortes LEDs e neons.
Sons, luzes e propagandas por todos os lados. Essa é a Times Square, o principal cartão postal de Nova Iorque. Conhecida como The Crossroads of the World (O Cruzamento do Mundo), a praça é o principal destino dos turistas, conta com uma história oculta e com detalhes que podem passar despercebidos. Conheça alguns fatos da área mais famosa da cidade:
Sinfonia escondida – a instalação de som abaixo da grade do metrô
Ao fazer uma instalação de som abaixo das grades do metrô, o artista americano Max Neuhaus acabou criando uma das sinfonias mais ouvidas nos tempos modernos, ainda que muitas pessoas não percebam.
Instalado em 1977 na área triangular entre 45th e 46th Streets e Broadway, o sistema emite uma camada texturizada de som, que toca em loop 24 horas por dia. Mantido em funcionamento pela Fundação Dia, a instalação não possui nome nem créditos ao autor. A decisão foi tomada de forma consciente por Neuhaus, que espera ter sua obra descoberta acidentalmente pelas pessoas. Passe pelas grades em qualquer momento do dia e ouça essa sinfonia escondida.
One Times Square – Vazio de conteúdo e cheio de valor
O One Times Square é a casa de um dos maiores eventos de Manhattan a Ball Drop, ou Queda da Bola, que marca, desde 1907, a comemoração de ano novo em Nova Iorque. No restante do ano, porém, o prédio cumpre funções bem menos glamourosas.
Inaugurado em 1904 como sede do jornal New York Times, o edifício foi abandonado pouco tempo depois, e assim ficou até ser comprado pelo banco Lehman Brothers em 1995, quando foi transformado no gigante outdoor que é hoje. Hoje, além dos três primeiros pavimentos ocupados pela rede de farmácias Walgreens, somente o porão e o último andar são ocupados pela empresa Jamestown Properties, onde são guardados equipamentos de decoração e a famosa bola de decoração do ano novo. O que muitas pessoas não sabem é que, apesar dos seus 22 andares abandonados, o prédio gera mais de U$23 milhões de lucro, graças aos anúncios publicitários em sua faixada. Isso o torna um dos prédios mais vazios e mais lucrativos de Manhattan.
VJ Day in Times Square - Palco do beijo mais famoso da América
A cena já entrou para a história: é 14 de agosto de 1945, e chega às cidades dos Estados Unidos a notícia de que o Japão havia aceitado a rendição, acabando com a Segunda Guerra Mundial. Em todos os lugares, pessoas vão para as ruas comemorar o acontecimento. Em Nova Iorque, um marinheiro festeja pela Times Square e cruza com uma mulher vestida de branco, provavelmente uma enfermeira, e a abraça em um beijo. O momento foi capturado pelo fotógrafo Max Eisensteaedt, e publicado uma semana depois na LIFE Magazine, em meio a dezenas de fotos publicadas compiladas na sessão chamada “Victory Celebrations”, ou Celebrações da Vitória. A foto se tornou uma das mais famosas do século XX.
Muitos fotógrafos estavam lá naquele dia, incluindo o fotógrafo da marinha Victor Jorgensen, que capturou a mesma cena de outro ângulo, que foi publicada no dia seguinte no New York Times. Ainda assim, o homem e a mulher na foto continuam desconhecidos. Muitas pessoas já afirmaram ser os protagonistas da cena, mas suas verdadeiras identidades se tornaram um dos segredos da Times Square.
Bar Centrale – o discreto bar de estrelas
O Joe Allen é um famoso restaurante na 326 W 46th Street. Aberto desde 1965, o local já se tornou um ponto turístico da Times Square, intimamente ligado ao teatro da Broadway. Espectadores, atores e produtores frequentam o lugar, tornando-o um dos pontos mais famosos do Theater District. O mesmo, porém, não pode ser dito do Bar Centrale.
O local, com pouco mais de quinze anos, foi criado por Joe Allen diretamente acima do seu restaurante. Discreto, sem placas ou indicações, o bar é tão pouco divulgado, que é difícil imaginar sua clientela: personalidades famosas, principalmente da Broadway. Se perguntado, seus funcionários dirão que dispensam a fama: preferem manter a descrição e o clima secreto. No entanto, não se engane: se estiver passando por Nova Iorque, você pode visitá-lo. E se der sorte, talvez encontra um personagem de sua peça favorita.
Times Square Mural – As cores populares do metrô
Ao passar pela estação de metrô da Times Square – 42nd Street, olhe para cima e poderá ver um enorme mural de 1m x 16x. A pintura, feita em esmalte sobre metal, traz em cores vivas uma visão retro-futurista do metrô, com um trem anti-gravitacional passando por construções de um estilo antigo, celebrando a ideia de passado e futuro em uma estética inspirada nas histórias em quadrinho. Ela foi um presente de Roy Lichtenstein para a cidade.
Nascido em Nova Iorque, o famoso pintor da Pop Art tem obras expostas no MoMa, Metropolitan Museum, e muito mais, celebrado como um dos artistas mais influentes do século XX. Ao ser convidado pelo programa Arts for Transit, do MTA, Lichtenstein agarrou a oportunidade de marcar publicamente a cidade onde nasceu. O mural foi fabricado em 1994 e instalado em 2002, e lá permanece desde então, aproximando de forma sútil os passageiros do metrô ao mundo da arte e sua história.
A Times Square é um dos pontos mais conhecidos de Nova Iorque, e ainda assim continua contando com diversos segredos, que esperam ser descobertos por seus visitantes. Passe por algum desses locais, tenha experiências únicas e compartilhe tudo usando um chip America Net Mobile.
